24 de Fevereiro de 2018
Opinião
Mário Leite
Atração pelo abismo

O abismo é sempre um desafio.
Um desafio à coragem, um desafio às nossas capacidades, um desafio aos limites.
O abismo é também a beleza, a expressividade da Natureza.
Mas nas relações sociais, na economia, na vida coletiva, existem limites e o ultrapassar desses limites também nos leva ao abismo.
A crise económica e financeira, que a Europa vive, tem vindo a levar ao abismo as economias mais fracas, mais vulneráveis, com a Grécia à cabeça.
Porém, a Grécia tem revelado um atração fatal pelo abismo.
Mesmo agora que a Europa chegou a acordo para perdoar parte considerável da dívida grega e para emprestar mais uma centena de milhar de milhões euros, eis que o primeiro-ministro resolveu requerer um referendo. Costuma-se dizer: pobres e mal agradecidos!
Alguém espera que um povo, que há meses vive em rebelião por causa das medidas de austeridade, vai viabilizar, em referendo, as medidas que contesta?
Obviamente que não!
Esta situação cria uma situação agravada de crise internacional, que desde logo provocou enorme erosão financeira.
Erosão que se sente, de forma mais acentuada, nas economias mais sensíveis, como a nossa.
Com a evolução negativa que se regista, estamos a correr para o abismo, com consequências imprevisíveis.
Também por cá há quem julgue que se resolve o problema desafiando os limites, não cumprindo os compromissos que assumimos.
Nesse caso temos os partidos de esquerda (PC, BE) que desde o princípio se demarcaram de qualquer compromisso, de qualquer negociação. Mas temos agora o próprio PS que não sabe o que fazer da vida.
Pediu o apoio internacional. Negociou os seus termos. Durante o tempo em que ainda governou fê-lo da forma mais irresponsável, deixando agravar o défice nos primeiros seis meses do ano. E agora tem dúvidas quanto à posição a tomar?
Não tem a responsabilidade pela situação criada, pelos termos dos compromissos internacionais que subscreveu?
Ou será que Seguro também quer cair no abismo da irresponsabilidade de Sócrates?
Os portugueses já pagaram e vão pagar ainda mais pela irresponsabilidade de uma governação que foi de delapidação do erário público.
Hoje, temos a obrigação de cumprir os compromissos que assumiram para resolver os problemas que criaram.
As medidas são duras, muito duras, mas não temos alternativa.
Melhor, temos o abismo por limite.

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Comentários (3)
Leonor P disse

Força Professor a verdade está consigo!!!!!!


27 de Fevereiro de 2013 18:53




Mário Leite disse

Caro Amigo Agradeço as suas palavras e a sua opinião, que só hoje tive oportunidade de ler. Com o decurso destes dias, a situação na Grécia já se encarregou de nos mostrar a dura realidade. E é para essa realidade, dura e crua, que eu procurei alertar. Reconheço, de algum modo, as razões e os bons sentimentos de quem defende uma atitude socialmente mais justa, mais democrática. Mas todos sabemos que numa sociedade capitalista, numa sociedade de mercado, são as regras do capital que funcionam. Sempre assim foi e será, porque é da natureza das coisas. À política fica a capacidade de regular os mercados, de compensar os desvios, de fazer face aos abusos. Infelizmente, na Europa não temos sido capazes de cumprir essa responsabilidade, com as consequências que já vimos e com as que inevitavelmente iremos sofrer. Para mal dos nossos pecados! abraço amigo, Mário Leite


28 de Novembro de 2011 01:57




José António Nobre disse

Caro prof. Mário Leite: Aproveito para saudá-lo e felicitá-lo pela oportunidade da sua crónica. Creio, porém, que a questão da iniciativa de George Papandreou é mais profunda. Concordo que há a tentação do abismo. Mas não será uma "tentação" querer prescindir da legitimidade política, para tomar decisões tão gravosas? Haverá um preço para a democracia? Fará sentido "suspendê-la", como alguém que muito respeito já sugeriu, por falta de financiamentos? Temo que a "construção europeia" esteja a ser atraída para um abismo sim, mas por um défice de política, por um défice de debate, por um défice de democracia. Nas últimas décadas, são por demais as decisões apenas técnicas, que os povos europeus não compreendem e que, como tal, dificilmente assimilam, por muito "sensatas" que possam ser. É este o abismo que mais temo. Com a estima e a consideração do, José Nobre


07 de Novembro de 2011 20:33








Anónimo:



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