22 de Fevereiro de 2018
Opinião
Vítor Pimenta
O Elogio do Comboio

O tempo pode não ser o apropriado e corre a ideia de que o assunto não tem lugar no contexto actual. Tanto é porque ninguém vê forma de contrariar o peso rodoviário no paradigma do progresso do país. A realidade é que nos países mais desenvolvidos da Europa a ferrovia é elemento essencial no desenvolvimento económico e na coesão territorial. O exemplo da Holanda é paradigmático, ainda que densidade de estradas seja enorme, os holandeses não prescindem dos tranportes público e sobretudo do comboio na ligação entre as suas cidades. Pela pontualidade, pela segurança, pela sustentabilidade, pelo conforto e também porque o tempo dispendido é sempre tempo útil.

Ainda num destes dias me dava conta de que uma viagem sobre carris é uma oportunidade para ler um livro, pôr o estudo em dia, adiantar trabalho e conversar olhos nos olhos. O timbre do comboio não incomoda como o do autocarro, as curvas são suaves. Não há a ansiedade do volante, não há medo do disparate, da distracção, não há o exercício incontrolável da injúria, tomados todos os outros como os piores condutores do mundo. Além disso é o mais democrático. Basta tirar bilhete e não a carta.

No Vale do Tâmega e Terras de Basto, talvez por anos de alheamento e propaganda, medra a visão mirrada sobre a sua Linha Ferroviária e prefere-se uma ciclovia. Cara diga-se,  140.000/Km, para um impacto económico esperado a roçar o zero, como se pode verificar no abandono a que foi deitado equipamento semelhante entre Fafe e Gumarães. Enterra-se assim, sob asfalto e macadame, fundos e a oportunidade de religar esta região ao Porto, uma cidade eminentemente cosmopolita e a fervilhar de espaços de criatividade e cultura. Fecha-se assim, a janela de trazer turistas e residentes, atraídos pelas vantagens da vida rural e da mobilidade.

A verdade é que reerguida Linha do Tâmega, servida por comboios modernos de linha métrica, privilegiando as principais estações, poderia ligar rapidamente toda a região aos Urbanos do Porto  e restantes modalidades ferroviárias, a partir da Livração. O atrevimento que custaria cerca de 1 milhão de euros por km, cerca de 56 milhões ao todo. É uma ninharia face aos 20 milhões de euros gastos em 4 km da ainda incompleta variante a Arco de Baúlhe.

 

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Comentários (6)
Tumsweew-online disse

bom comeco


04 de Outubro de 2010 08:15




Anónimo disse

é a herança de se ter presidentes enginheiros civis..so querem betão.tudo, para eles, se resolve com betão..betão ao almoço, ao jantar e ainda na cama.betão, betão


05 de Julho de 2010 13:23




Anónimo disse

Meus caros não veem que somos um país de ciclistas ? É por isso que vamos pôr agora os politicos que tem carros de topo de gama a usar as ciclovias !!! Agora é que o País vai lucrar, pois vai tudo andar de bicicleta !!! Que vos parece ? Já viram algum politico desses que defendem as ciclovias andar de bicicleta em grandes extenções, ou de combóio sem ser com fins eleitoralistas ?


02 de Julho de 2010 21:33




Ferreira disse

Uma ciclovia só mesmo na cabeça do Presidente da Câmara de Cabeceiras. É uma pena que se deite por terra um património tão valioso como foi a ferrovia do Tâmega. Não temos de facto políticos à altura. Se estivéssemos na Holanda ou na Escócia, optar-se-ia pela recuperação da Linha. Mas claro, lá pensa-se em grande e com visão integrada de desenvolvimento turístico. Aqui os nossos autarcas são incapazes de aproveitar os fundos comunitários para financiar um projecto inter - municipal com o apoio do Estado. Continuam a pensar no caminho, no poste de luz e no fontenário público. Somos de facto um país mt atrasado.


02 de Julho de 2010 13:56




Daniel Conde disse

Ena, e não é que a ciclovia do Tâmega até bate em custos a ciclovia do Sabor? Que rico fartar vilanagem, sim senhor: uma faixa de 2,5m de terra batida, a custar a cada 8Km 1 milhão de euros. E pensar que em Espanha, esse reles país que queima o seu tesouro e o da Europa em projecto inúteis tal como nós (ou não), se reabriu uma Via Estreita com o comprimento da Linha do Norte (!!!) por 123.500 EUR/Km - para quem não percebeu a dica, custou menos por Km que a ciclovia do Sabor e ainda menos que a ciclovia do Tâmega. Tem também piada que a Invesfer, empresa da REFER responsável pelo reaproveitamento do património ferroviário desactivado, está em falência técnica há anos. Pois, nós, estúpidos e submissos contribuintes, andamos a subsidiar esta empresa porque as suas directrizes e as dos nossos autarcas é plantar ciclovias em tudo o que é via-férrea desactivada no nosso país. Mas dizem que ali prós lados do Douro, reles território que não se sabe como mas já é a 3ª zona turística do país, uma coligação de 28 autarquias teve o desplante de mandar a ciclovia Pocinho-Barca d'Alva às urtigas, e reivindicar o regresso do comboio. Resultado: protocolo assinado, só falta deixarem-se de tretas e avançarem com as obras. Mas o Tâmega peca ainda por maior sentimento de repulsa contra o poder autárquico instalado: quem não ouviu já falar do investidor britânico que quis, do seu próprio bolso, reabrir a Linha do Tâmega, sendo tão honroso desígnio assassinado pelos autarcas das terras do Basto? Bravo, les miserables!


02 de Julho de 2010 10:48




TELMO BÉRTOLO disse

Para se defender o comboio, era preciso ter-se uma visão integrada da região e também de longo prazo. Mas os autarcas preferem realizar aquilo que lhes dê logo dividendos... Com políticos assim, a região nunca se tornará numa atracção turística. E é uma pena!


01 de Julho de 2010 23:34








Anónimo:



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Este vídeo foi apresentado no oitavo aniversário da adbasto (Associação de Desenvolvimento Técnico-Profissional das Terras de Basto), e conta, visual e oralmente, a história desta associação.
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