22 de Fevereiro de 2018
Opinião
Vítor Pimenta
De volta à terra

Não quero de algum modo roubar, mas peço emprestado, o título do documentário de João Pedro Plácido, “Volta à terra”, que deu a conhecer ao mundo a beleza simples mas arrebatadora de gente e paisagens deslumbrantes que vivem na aldeia da Uz. Esse viver de centenas de anos, transmitido de geração em geração, em arte e genes, faz também o encanto da nossa região. É este o valor fundamental que devemos todos encontrar, recuperar, reinventar e transformar em valor acrescentado. É o que, entre várias contradições, se tem feito um pouco pelas Terras de Basto, por quem procura trazer para os dias de hoje tradições antigas. Quem, como eu, pode passar pela Noite dos Romeiros de Santiago em Mondim, ou a Erguida do Pau da Bandeira em Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto) percebeu que há muito de genuíno e inédito no nosso território capaz de deslumbrar qualquer um, atraindo as atenções de “muitos de fora”, mas também “os de dentro”, para o que de bom temos: as nossas gentes, as nossas “estórias” e os nossos produtos. Há um potencial enorme na economia do genuíno, do típico, do pitoresco, que também é a economia da nossa alma, poupando o coração a angústias modernas. Num país que se tornou um dos destinos turísticos mais importantes da Europa e até do Mundo, nos últimos anos, cabe-nos de algum modo frenar a euforia pelas “massas” que são mais “de moda” e usualmente destroem aquilo que nos torna realmente distintos. Num tempo difícil em que todo o lugar e modo parece cada vez mais igual, saber usufruir o que temos de diferente, ir de “volta à terra”, pode ser a tábua de salvação.

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Este vídeo foi apresentado no oitavo aniversário da adbasto (Associação de Desenvolvimento Técnico-Profissional das Terras de Basto), e conta, visual e oralmente, a história desta associação.
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