20 de Junho de 2013
Opinião
Miguel Teixeira
Obviamente a “receita” não está a resultar e o paciente pode “morrer da cura”

Para além do bom desempenho das exportações, no final do segundo trimestre de 2012, dizem os comentadores e economistas , há uma boa notícia: “as despesas do Estado desceram”. Também, outra coisa não seria de esperar, com o corte nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos e pensionistas, o que permitirá até ao fim do ano, poupar 2 mil milhões de euros ao Estado. Mas para além desta notícia (má para os funcionários e pensionistas) boa para os cofres do Estado, há uma má notícia: se as despesas desceram, as receitas (cobrança de impostos) desceram ainda mais. Por outro lado, se bem nos recordamos, as recentes alterações à legislação laboral, ao tornar mais fácil “despedir”, destinavam-se a contribuir  para aumentar “a “famosa” competitividade e a criação de emprego. Ora, não está a acontecer uma coisa nem outra e como se verifica, a taxa de desemprego atingiu em Portugal níveis absolutamente insuportáveis, subindo com a mesma determinação e entusiasmo, com que o Alpinista Português João Garcia “escala” as maiores montanhas do planeta.

Daqui se conclui que não obstante os imensos sacrifícios suportados pelos “mesmos do costume”, a dívida externa portuguesa em vez de “emagrecer”, “engordou” cerca de 5 mil milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, em relação ao final de 2011 (números do Eurostat),  passando de 107,8% para 111,7% do PIB.

E perante este cenário, o que devemos fazer? Mudar de caminho, corrigir a rota traçada, “estancando”, por exemplo, o aumento de impostos que sufoca as empresas e parando com o verdadeiro “saque” aos salários que retira poder de compra aos cidadãos retraindo por via disso, o consumo e diminuindo a procura interna?

Não, nada disso. Perante esta “penosa” situação em que se arrasta o país, os “iluminados” e bem instalados “Borges”, Catrogas e outros comentadores como os Camilos Lourenços, “apóstolos” desta receita neoliberal, vêm dizer que afinal, o que é mesmo preciso, é descer ainda mais os salários. E quem defende esta “tese” num país em que os salários são em geral dos mais baixos da Europa? Figuras ou “figurões” com ordenados dos mais altos, por vezes astronómicos, para além de outros privilégios. É não ter, para além de visão e razão, uma réstea de vergonha!

Na verdade, já não há “pachorra” para ouvir o discurso do “temos que empobrecer”!

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