22 de Fevereiro de 2018
Editorial
Marco Gomes
Fridão, de um ponto de vista económico

Há quatro meses várias associações e movimentos apresentaram um cheque simbólico no valor de sete mil milhões de euros ao governo. Este valor é o preço que os contribuintes-consumidores, e não as entidades privadas, irão pagar caso as barragens previstas no contraproducente “Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroléctrico” sejam construídas.
Este valor resulta da soma ao investimento inicial (três mil e seiscentos milhões de euros) os encargos financeiros, manutenção e lucro das empresas eléctricas, dentro de setenta e cinco anos (o tempo da concessão). As nove barragens terão custado aos consumidores e contribuintes portugueses não menos de sete mil milhões de euros  (mais um enorme encargo por força da crise e mais os custos de deficit tarifário eléctrico que neste momento atinge cerca de mil e oitocentos milhões de euros) essencialmente suportados pelos contribuintes (ajudas estatais à energia renovável) e consumidores (que pagarão na factura da electricidade).
Em suma: sete mil milhões de euros para produzir um por cento, sublinho, um por cento da energia nacional. A mesma quantidade de electricidade que as barragens viriam a gerar pode ser poupada com medidas de uso eficiente da energia, na indústria e nos edifícios, com investimentos dez vezes mais baixos, na casa dos trezentos e sessenta milhões de euros, com períodos de retorno até três anos, portanto economicamente positivas para as famílias e as empresas. Temos 170 grandes barragens, um terço das quais hidroeléctricas, será que precisamos de mais estas barragens? Claro que não. O esforço financeiro é incomportável, as consequências ambientais serão desastrosas e o desenvolvimento sócio-económico não existirá nas terras que (espero que não) albergarem as barragens (o concelho de Montalegre é um exemplo paradigmático de que as barragens não promovem o desenvolvimento, pelo contrário).

No entanto, e ao nível local, a barragem de Fridão trará consequências (negativas) directas em quatro concelhos: Amarante, Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto. O poder camarário destes quatro concelhos há muito que se renderam (venderam) à retórica e ao aliciamento das poderosas empresas de fornecimento e produção de energia (EDP e IBERDROLA) e ao “lobbying” do Governo.
O executivo de Amarante, no mês de Abril, tornou público um acordo (secretamente negociado) entre a Câmara de Amarante e a EDP, que estipula que a Câmara (não necessariamente o concelho de Amarante) seja compensada em cinco milhões e seiscentos mil euros pela EDP, em troca do seu aval à construção da barragem de Fridão. O executivo camarário de Celorico de Basto, após o fecho do SAP durante o período nocturno, afirmou que conseguiu o financiamento necessário (cerca de duzentos e cinquenta mil euros)  para que este serviço não acabe até que o Hospital de Amarante seja concluído. Ficou implícito que o financiamento obtido foi um “adiantamento” de uma compensação a dar pela EDP em troca, mais uma vez, do aval à construção da barragem de Fridão por parte dos responsáveis políticos de Celorico de Basto.
Os executivos de Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto juntaram-se há cerca de um ano atrás e fizeram uma declaração conjunta em que admitiram que a barragem de Fridão irá provocar consideráveis prejuízos locais, de cariz sócio-económico, ambiental e territorial mas estipularam um valor para a troca do seu aval para a construção da barragem. Conclusão: estes executivos, que em outros momentos (nomeadamente, antes das secretas negociações) anunciaram as consequências devastadoras para esta região, provenientes da construção desta barragem, trocam o desenvolvimento sócio-económico sustentável por uns míseros milhões de euros. Os contribuintes-consumidores portugueses irão pagar cerca de sete mil milhões de euros para produzir mais um por cento de energia (com um enorme custo sócio-económico e ambiental) quando poder-se-ia “produzir” mais energia por dez vezes menos e com um retorno económico de curto prazo. A barragem de Fridão, para além de um  entrave ao desenvolvimento de uma região, é economicamente incomportável.

 

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Comentários (5)
Miguel Leite disse

O Sr. Marco Gomes, afirma na sua crónica que existem outras alternativas à produção de energia electrica de custos mais baixos, mas não diz quais são. Possilvelmente quer ver a construção de centrais nucleares em vez de barragens: Ponderando as vantagens e os inconvenientes, as barragens são menos prejudiciais aos cidadãos que as centrais nucleares e a energia eólica. Eu taambém não gosto de ver nos cimos dos montes do nosso País, árvores de cimento a produzirem energia, mas sei que é um mal necessário. Prefiro ver água armaxenada a qual permita a produção de energia elétrica, pesca e navagabilidade de embarcações de recreio, do que centrais nucleares e árvores de cimento


21 de Maio de 2011 08:09




Miguel Leite disse

Neste País, sempre houve e haverá os que são considerados, em termos históricos, os velhos do Restelo, são aqueles que não fazem nem deixam fazer. Deixem de olhar para o umbigo e pessam e contribuam para o desenvolvimeento do País. Podem haver politicas de eficiência energética depois da contrução das barragens, a fim da energia eletrica por elas produzida abastecer o maior número de habitações. Há alguém que não concorde com a diminuição da nssa independencia energética, bem como da dminuição da poluição atmosférica? prsentemente, o que se dislumbra nas margens do rio Tamega? Campos aráveis abandonados, onde predominam os arbustos, eucaliptos e silvado, porque pinheiros e outro tipo de ãrvores deixaram de existir devido aos incêndios que nos últimos anos têm dissimado a floresta das Terras de Basto,e não só.Taambém quero dizer que não quero ver Porta aviões no rio Tâmega mas espero ver barcos de recreio, à semelhança daqueles que presentemente navegam na barragem da caniçada: Acredito que as Terras de Basto, não vão ficar pior do que estão neste momento.


21 de Maio de 2011 00:23




Anónimo disse

O Miguel Leite está à espera de ver no Tamega os submarinos do Paulo Portas ou algum porta aviões da NATO.Fia-te na Virgem e não corras.


13 de Maio de 2011 10:52




Marco Gomes disse

Nem os campos estarão abandonados (não será uma reserva importante para os tempos que virão? Além do mais há, em algumas zonas que serão inundadas, exploração) nem as florestas estão queimadas. A dependência energética pode ser diminuída com políticas de eficiência energética onde o ganho para a economia real é evidente, para o ambiente (os custos ambientais serão tremendos com estas barragens) e para o turismo. Sim, o turismo. O turismo sustentável (aquele que alia os interesses dos turistas com as necessidades ambientais da região) tem crescido a taxas de dois dígitos enquanto o turismo de albufeira tem tido a "performance" contrária. No entanto, a qualidade das águas do Tâmega (já questionáveis) irá piorar (previsões de vários especialistas e até a UE já tem uma queixa contra o Estado por causa de Portugal não vir a cumprir uma directiva sobre este assunto). O Plano Nacional de Barragens irá custar-nos sete mil milhões de euros para a produção de 1% da energia. É um custo monumental


12 de Maio de 2011 19:46




Miguel Leite disse

Bem vinda seja a barragem do fridão e das restantes projectadas para o rio Tâmega, as quais vão permitir o armazenamento de água, bem como vão permitir a produção de energia elétrica e consequentemente a diminuição da dependencia energética e da poluição atmosférica. Que produção dão presentemente os terrenos que vão ser submersos quando da construção das barragens? OOs terrenos agriculas estão abandonados e as florestas estão queimada Assim, pelo menos vimos água e podemos ver embarcações de competição e de recreio a navegar nas albufeiras, á semelhança do que acontece naa albufeira da caniçada, e até a Nossa Senhora da Graça, vai, melhor contemplar as águas do rio Tamega, bem como pode elhor proteger as pessoas que nele se banharem ou navegar.


12 de Maio de 2011 00:02








Anónimo:



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Este vídeo foi apresentado no oitavo aniversário da adbasto (Associação de Desenvolvimento Técnico-Profissional das Terras de Basto), e conta, visual e oralmente, a história desta associação.
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