22 de Fevereiro de 2018
Mondim de Basto | 13-03-2015
Por: Redacção
O TAM, Teatro Amador Mondinense de Mondim de Basto, vai iniciar o seu 6º Festival de Teatro Miguel Torga, este ano pela primeira vez internacional
Luís Romano
Considerando a situação de crise económica do país, em que invariavelmente a cultura é das primeiras a sofrer às mãos da fria e calculista austeridade, o Teatro Amador Mondinense parece caminhar contra a corrente. Na 6ª edição do Festival de Teatro Miguel Torga a internalização é uma das novidades, com a presença de uma companhia de Paris (Clown Panaii) e uma companhia espanhola (A Voadora).

Para além disto o festival dedica um fim-de-semana dedicado ao Teatro Universitário, seguirá o percurso de Miguel Torga contando com um espetáculo dos alunos de mestrado da UTAD e do GEFAC da academia de Coimbra. Não ficando por aqui, o programa conta ainda com a actuação dos Palmilha Dentada, com o Tâmegar e com o espectáculo dos anfitriões do festival, os TAM.

O Jornal O Basto esteve à conversa com Luís Romano dos TAM. 

OBasto:  O Teatro Amador Mondinense (TAM) leva já, coma  edição deste ano, 6 edições do Festival de Teatro Miguel Torga. Como descreve o esforço e a dedicação, desde a 1ª edição até aos dias de hoje?

LR:  Só com o empenho e dedicação de  todos nós, os que fazem  parte desta Companhia e as horas que  a ela disponibilizamos, se consegue chegar ao fim de 6 anos e alcançar este patamar de exigência em que o Festival hoje em dia se encontra. Convém lembrar que se trata de uma associação amadora. Todos  temos vidas profissionais a cumprir. O  trabalho desenvolvido no TAM resume-se  a um encontro de pessoas cuja paixão por uma causa as une de uma forma excepcional. Quando assim é os resultados surgem.

OBasto:  Todo esse esforço e dedicação são visíveis na evolução do festival, sendo que este ano é a primeira vez que o festival se torna internacional. Quais são as maiores dificuldades que se afiguram para quem trabalha pela promoção do teatro em Portugal?

LR: Começaria pelo facto de estarmos no Interior. Aquilo que para nós poderia ser visto  como uma boa notícia - o facto haver uma pequena Vila do interior que ousa realizar um festival internacional de Teatro com alguma envergadura -  é incompreensivelmente relativizado nos grandes meios de informação e encarado amiúde como coisa menor.  Mesmo a informação especializada em conteúdos desta natureza se mostra relutante em divulgar uma simples informação de agenda. Estamos na 6ª edição ininterrupta, passaram pelo festival 32 companhias, mas ainda hoje permanece essa dificuldade em promover o festival a nivel nacional.  A verdade é que não deixa de ser um obstáculo menor, comparado com o prazer que temos ao ver o nosso público aderir  e a nos transbordar permanentemente a sala. É isso  o que de verdade nos interessa. O resto ultrapassa-se.

OBasto:  O Festival de Teatro Miguel Torga mais do que homenagear o grande escritor transmontano é acima de tudo uma homenagem à cultura teatral nesta região do país, tanta vezes excluída disso mesmo? 

LR: Diria que é precisamente a junção de ambas. A homenagem a Miguel Torga, um transmontano  figura maior  da literatura lusitana,  e por outro lado o recuperar das tradições da arte de representar que tanto dizem às pessoas de Mondim.

OBasto:  Ou para além disso, contrariar essa exclusão demonstrando que a cultura vive também nas regiões do interior?

LR: A cultura vive em todo o lado, espreita a cada esquina, o Interior não é imune a isso.Pelo contrário o Interior e as sua gentes sabem e mostram que querem preservar aquilo que de melhor tem. Ninguém duvida que os meios ao nosso alcance são francamente mais limitados que numa grande urbe.  No entanto a cultura, a mais integra e honesta sempre se manifestou melhor na escassez do que na fartura. Talvez venha daí muita da nossa perseverança.

OBasto:  Esta 6ª edição conta com a primeira internacionalização do festival, trazendo à cena uma companhia de Paris (Clown Panaii) e uma companhia espanhola (A Voadora).  O que simboliza para o TAM este “passo em frente” na sua programação artística?

LR: Diria, com a devida modéstia, que os factos demonstram que estamos no caminho certo. Esta evolução é natural.  A vinda, por exemplo,  de Stephane Fitoussi, deu-nos um motivo para estabelecer contactos a um outro nível. Nomeadamente com embaixada de França em Portugal. Foi através da adida cultural, que estabelecemos um acordo de parceria com Instituto Franco Português através de um apoio à divulgação do nosso Festival nos canais privilegiados do Instituto. Estamos a trabalhar com afinco nesse estreitamento de relações. Estou convicto que no futuro essa relação poderá ir mais longe e gerar os seus frutos. Com a Xunta da Galícia a mesma situação se coloca. A Voadora é uma companhia de teatro multi galardoada. Tem no seu plano de actividades, além de uma vasta oferta artística, a promoção de parcerias com outras companhias estrangeiras ao abrigo de  programas da comunidade europeia e do próprio governo galego. Estamos a trabalhar no sentido de colocar o Tam  nesta plataforma.  Queremos  mais cultura internacional em Mondim, e em contrapartida queremos levar a nossa cultura fora de portas. Estamos conscientes da importância deste passo e convictos do seu sucesso.

OBasto:  É uma “conquista” que reflecte a crescente importância do festival no país ou ainda há muito para fazer nesse sentido do contexto nacional?

LR: Não falta o que fazer a quem teima  fazer melhor. Seja no contexto regional seja no contexto nacional.  Num pais onde não existe uma política cultural séria,  onde demasiadas  vezes se olha a cultura como mera despesa e não como investimento, é óbvio concluir que enquanto assim for a tarefa de proporcionar cultura  complica-se. Neste período de crise, onde a escassez de meios reina, e onde o espírito empreendedor se impõe  a cultura pode ter aqui a sua janela de oportunidade. Demonstrando que além do essencial,  que é proporcionar  bem-estar nas populações e promover  de certa forma a auto estima colectiva, também a sua vertente geradora de riqueza poderá ter um papel importante na economia local. A cultura, nas suas diversas formas, é essencial numa terra que aposte no turismo.  Vejam-se os bons e variados exemplos que começaram timidamente a despertar por esse país fora, e que hoje são já referências incontornáveis que atestam esta verdade.  O Festival propõe-se a ser também um aviso e um farol apontado nesse  sentido. Quando daqui, desta pequena Vila,  lançamos a pergunta :  "se em março Mondim não for a Capital do Teatro em Portugal, onde será?", a intenção aqui prende-se em  lançar o desafio e não propriamente em obter a resposta .

OBasto:  Para além desta surpresa há ainda uma outra inovação nesta 6ª edição. O Festival de Teatro Miguel Torga apresenta na sua programação um fim-de-semana dedicado ao Teatro Universitário. Esta é uma das formas de apresentar ao público este conjunto de artistas universitários e simultaneamente estimular a sua prática?

LR: O resultado final  pode muito bem ser esse. No entanto a ideia do teatro universitário teve, uma vez mais,  como denominador comum Miguel Torga.  Vila Real é a sede de distrito natal do ilustre escritor e Coimbra a cidade que o mesmo  escolheu para viver. Será por isso uma forma de  homenagem a ambas as cidades e na figura das suas universidades. O fim de semana académico  no  festival   é,  por tudo isto, uma homenagem justa, um incentivo  e um agradecimento merecido ao teatro universitário.

OBasto:  Luís, certamente poderemos esperar muitas emoções nesta 6ª edição. Mas que ideias para o futuro nos reserva o TAM e o seu já internacional festival de teatro?

LR: Parece-me sensato primeiro que tudo usufruir as emoções desta 6ª edição, que só agora começou e que se prolongará durante todos os fins de semana até ao fim de março. Depois então sim começar a pensar seriamente no próximo.  Quando houver novidades concretas e garantidas - fica desde já promessa - O Basto será, com todo o gosto, o primeiro a saber.

A 6ª edição do Festival de Teatro Miguel Torga  realiza-se de 28 de Fevereiro a 28 de Março em Mondim de Basto, sendo que todas as 7 sessões que compõe o festival começam às 22 horas, em ponto. Não se atrase, a cultura está prestes a entrar em cena. 

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