25 de Novembro de 2017
Cabeceiras de Basto | 06-11-2014
Por: Redacção
“Basto pelo Mundo”
Tiago Teixeira com grupo de trabalho da Elanco
Entrevista ao Dr. Tiago Ribeiro Teixeira, líder de unidade ibérica de Ruminantes na farmacêutica Elanco.

Nesta edição, a rubrica “Basto pelo Mundo” apresenta o Veterinário cabeceirense Tiago Ribeiro Teixeira, especialista em Ruminantes, a viver em Madrid desde 2012, onde lidera uma unidade ibérica de ruminantes da multinacional farmacêutica norte-americana Elanco.

Tiago Teixeira terminou o curso de Medicina Veterinária no inicio de 2002, depois de 5 anos na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD) e cerca de 8 meses de Estágio Curricular, entre Medicina e Cirurgia Bovina na zona de Barcelos e Cirurgia e Reprodução de grandes animais na Universidade de Léon, Espanha. De regresso a Cabeceiras de Basto trabalhou como Veterinário  nos quadros da Organização de Produtores de Pecuária de Basto. É rapidamente reconhecido pelos produtores e passa a dar assistência técnica a muitas explorações (nomeadamente de bovinos) nos quatro concelhos de Basto e alguns concelhos limítrofes. Teve um experiência de docente universitário durante três anos na UTAD passando depois a ser responsável técnico do Centro Hípico de Vinha de Mouros.

Em Abril de 2007 recebe o convite do laboratório americano Schering-Plough para desempenhar o cargo de Técnico Especialista de Bovinos, mudando-se para a capital portuguesa. Pouco mais de ano e meio depois passa a ser responsável pelo suporte técnico e de gestão das maiores empresas produtoras de bovinos de Leite do país. Em Setembro de 2009 é promovido a Diretor de Unidade, passando a liderar a maior unidade de negócio da empresa em Portugal, sendo uma das mais jovens pessoas com esse cargo a nível mundial. Mantem-se aí quase três anos até que em Junho de 2012 aceita o convite de outra multinacional farmacêutica americana - a Elanco. Nessa farmacêutica e a residir em Madrid passa liderar a unidade de Ruminantes para Espanha e Portugal.

O Basto foi entrevistá-lo. Encontrou numa postura calma e segura um dos mais jovens líderes do mundo no ramo da farmacêutica.


Obasto: O Tiago teve um percurso académica árduo e com resultados altamente valorizados, passando por Vila Real, Barcelos e León em Espanha. Como faz a retrospectiva entre onde começou e onde está hoje?
Tiago Teixeira : Na verdade, tudo passou muito depressa. Desde que iniciei o curso de Medicina Veterinária em Vila Real em 1996 até hoje, já passaram 18 anos mas tenho a sensação que passaram muitos menos. Como disse, foi um percurso árduo, mas ao mesmo tempo extremamente enriquecedor e para além disso, quando fazemos o que gostamos, tudo é muito mais fácil.
Obasto: Presumo que seja grande a satisfação de ter atingido tanto em tão pouco tempo…
Tiago Teixeira: Mais que satisfação, sinto que todo este percurso foi resultado de muito trabalho, muita dedicação e acima de tudo, uma procura constante da excelência e de profissionalismo. Eu tenho bem claro que o único local onde podemos encontrar “sucesso “ antes de “trabalho” é no dicionário….

Obasto: Tendo em conta as oportunidades que o seu percurso académico “abriu”, e num momento em que se discute tanto o sistema universitário português e o desemprego jovem, acredita que as universidades portuguesas são ainda hoje capazes de responder aos desafios?
Tiago Teixeira: Não tenho duvidas que a maior parte das universidades portuguesas preparam muito bem os nossos jovens para os desafios profissionais e a prova disso é que, todos os anos, milhares de recém-licenciados portugueses vão enriquecer os quadros técnicos de muitas empresas por todo Mundo. No entanto, também não tenho dúvida que toda a oferta de cursos superiores que temos em Portugal, não está desenhada para as necessidades do mercado de trabalho e continuamos a ter um excesso de licenciados em algumas áreas e uma grande deficiência noutras, isto já para não falar numa quase total inexistência de quadros intermédios.

Obasto: Deu os seus primeiros passos enquanto profissional em Cabeceiras de Basto. Como recorda esses anos?
Tiago Teixeira: A primeira experiencia profissional é sempre marcante e mais ainda quando esta é feita na nossa terra natal. Acima de tudo, é com muito orgulho que, bastantes anos depois de ter deixado de trabalhar nas Terras de Basto, ainda sou recebido com uma grande amizade por muitos agricultores com quem trabalhei nesses primeiros anos e que em alguns casos, continuam a telefonar-me todos os anos no Natal. Isso é algo de único e que representa muito para mim. Quanto ao trabalho em si, foi uma etapa muito importante, que me marcou profissional e pessoalmente mas eu sabia que um dia teria que evoluir.

Obasto:Foi difícil a decisão de sair?
Tiago Teixeira: Nunca é fácil sair de um local onde estamos bem e principalmente, onde temos os nossos amigos e família. No entanto, se queremos evoluir como profissionais, se queremos desenvolver-nos e crescer na nossa área de trabalho, não podemos acomodar-nos e esperar que as coisas apareçam. Por isso, a mudança foi uma passo necessário na carreira profissional. Normalmente, apenas me arrependo daquilo que não fiz e nunca por aquilo que faço ou pelas decisões que tomei.

Obasto: Após o convite para integrar o laboratório americano Schering-Plough em 2007, a sua carreira teve um rápida ascensão até chegar a Diretor de Unidade em 2009. Qual é o segredo para se subir tanto em tão pouco tempo sendo ainda tão jovem?
Tiago Teixeira: Alcancei a direção de uma unidade de negócio com 30 anos e recordo-me da minha primeira reunião internacional em Dusseldorf (Alemanha) e lembro-me que parte dos meus homólogos de outros países, tinham em média mais vinte anos que eu.
Nestas coisas não há segredos. Temos que ser profissionais, pensar que todos os dias trabalhamos por objetivos e que os resultados têm que aparecer. Para além disso, temos que ser exigentes com a nossa equipa, com os nossos clientes e acima de tudo, com nós próprios. Por outro lado devemos procurar melhorar todos os dias e disfrutar também com o nosso trabalho.

Obasto:Terá sido essa rápida ascensão que despertou o interesse da Elanco em 2012?
Tiago Teixeira: Ao nível das multinacionais, damo-nos conta que o mercado de trabalho é muito pequeno e toda a gente se conhece. Neste meio, o nosso nome é como as ações na bolsa: podem valorizar durante anos, como de um dia para o outro, podem perder todo esse valor. Como tal, quando procuramos ser bons profissionais, o nosso nome vale mais e os convites de outras empresas acabem por aparecer e creio que foi isso que fez com que a Elanco me fizesse o convite.

Obasto: Depois de em 2007 ter saído de Cabeceiras para Lisboa, em 2012 vai viver para Madrid. Foi ainda mais difícil a decisão de sair do país?
Tiago Teixeira: Não escondo que sim, principalmente quando tinha já fortes raízes a ligarem-me à nossa capital, nomeadamente depois de ter comprado casa aí e de termos uma vida profissional estável. Por outro lado, por mais próximos que sejam, histórica e culturalmente Espanha e Portugal, esta mudança significou ir viver para outro país, com outro idioma e com outros hábitos.

Obasto: Como é a integração laboral no estrangeiro quando se é ainda jovem a liderar uma unidade ibérica?
Tiago Teixeira:
Ao nível das multinacionais, a integração laboral é mais fácil pois a cultura e os processos da empresa são globais. Não há muita diferença nas formas de trabalhar entre os diferentes países. No entanto, não nos podemos esquecer que estamos a lidar com pessoas e essas sim, têm a sua cultura e os seus hábitos bem marcados, pelo que temos que ser cautelosos na hora de impormos as nossas ideias e a nossa liderança. Mas em geral, não foi uma integração difícil.

Obasto:E a integração num país diferente numa cidade como Madrid?
Tiago Teixeira: Com a minha mudança para Espanha, constatei que portugueses e espanhóis são muito mais próximos do que pensamos e isso é ainda mais notório quando fazemos essa analogia por zonas. Por exemplo, os Galegos são parecidos com os Minhotos, os Estremenhos com os Alentejanos e os Andaluzes com os Ribatejanos.
Por outro lado, quando queremos integrar-nos da melhor forma num país estrangeiro, temos que ser proactivos em todo o processo e não esperar apenas que os outros nos recebam de braços abertos. No entanto, posso dizer que Espanha, à parte de todo o seu nacionalismo que é bem notório, é um país acolhedor, com muita vida e muito calor humano, que torna qualquer integração mais fácil. Sobre Madrid, apenas posso dizer que para quem nasceu e viveu numa pequena vila minhota, é demasiado grande…..

Obasto: Foi melhor ou pior recebido, inicialmente, por ser português?
Tiago Teixeira: Honestamente, nunca senti qualquer reserva por parte de ninguém, pelo facto de eu ser o único não espanhol na equipa e inclusive, recebi por parte deles um apoio mais notório no momento da minha incorporação.
No entanto, nem tudo foram rosas e se por um lado, a receção foi fácil, também notei que a necessidade de demonstrar resultados foi igualmente mais marcada, não só a nível interno da empresa, como também no mercado. E se refletirmos um pouco, isto é natural pois quando alguma empresa contrata uma pessoa estrangeira, imediatamente são geradas grandes expectativas pois à partida, essa pessoa deve trazer um valor extra à empresa que não poderá ser dado pela equipa local.

Obasto: Sei que por razões profissionais viaja constantemente pelos ‘quatro cantos’ do mundo. Qual é a melhor e pior parte de se viver sempre ‘de malas feitas’?
Tiago Teixeira:
Em relação ao melhor, é para mim muito gratificante poder conhecer novos países e novas culturas, mesmo que muitas vezes praticamente não temos tempo para visitar a própria cidade onde estamos reunidos. Ainda assim, poder conhecer in loco, muitos países (e neste momento já levo na minha lista 29 países visitados), enriquece-nos pessoal e culturalmente de uma maneira extraordinária. Por outro lado, o conhecimento com que nós ficamos dessas cidades e países que visitamos é muito mais autentico e profundo do que qualquer informação que possamos ler ou ouvir.
O reverso da moeda de todas essas viagens é sem dúvida o cansaço que isso acarreta, perda de horas nas viagens e tempos de espera em aeroportos e acima de tudo, o sacrifício pessoal e familiar causado pelos muitos dias e semanas fora de casa.

Obasto: (A terminar) Sabemos que apesar da distância procura manter-se próximo das suas origens. Olhando para as terras de basto e sabendo da importância da agricultura e produção animal para o seu desenvolvimento rural, de que forma vê esse desenvolvimento no futuro?
Tiago Teixeira:
Numa zona min fundista como é o interior minhoto e em particular as Terras de Basto, não podemos competir em produção total, como a maior parte das outras regiões do país e muito menos com o resto da Europa e do Mundo. No entanto, sou daqueles pessoas que pensa que temos nichos de mercado onde a nossa produção agrícola e pecuária local poderão ser competitivas e há apenas um caminho: a qualidade. Que outra zona, à parte da região demarcada do Alvarinho com um produto muito específico, tem melhor vinho verde que as Terras de Basto? No entanto, pouca gente o sabe e não há uma verdadeira marca “Basto” associada ao nosso vinho. Em todo o país, onde podemos encontrar melhor carne, que os animais de raça Barrosa, Maronesa ou caprinos de raça Bravia, criados na nossa terra? Conheço Portugal de norte a sul, e posso garantir-lhes que não encontra. No entanto, não tem havido uma estratégia integrada para dar suporte e valor agregado a esta produção, para torná-la mais competitiva e lucrativa, gerando outro problema das terras do interior que é a desertificação. Em resumo, creio que temos potencial, temos matéria-prima mas necessitamos que tudo seja pensado a médio e longo prazo, para criar uma verdadeira marca Basto em tudo de bom que é aqui produzido na nossa terra.

Obasto: É possível que regresse às terras de Basto um dia, ainda que longe no futuro?
Tiago Teixeira:
Creio que dificilmente volte a Portugal nos próximos anos e muito menos a Cabeceiras de Basto. No entanto, tenho bem claro que quero voltar um dia e não só quando já só tenha idade para gozar a reforma e passear pela Praça da Republica. Penso sinceramente que ainda tenho algo para contribuir para o desenvolvimento da nossa terra e espero um dia ter essa oportunidade.

Prato favorito: Arroz de Cabidela
Verde ou Maduro: Maduro (e tinto)
Qual? Tenho vários. Mas há alguns que são especiais : S-Soberana (Sado), Duas Quintas Super Reserva 2009 (Douro), Mouchão (Alentejo), Pago de Carrovejas (Ribera del Duero, España), Terrazas (Priorat, España).
Cães ou gatos? Cães, decididamente.
Desporto: Tudo que tenha motor, mas principalmente Rally.
Equipa de futebol: Sport Lisboa e Benfica.
Música ou cinema? Cinema.
Que artista: Anthony Hopkins.
Melhor espetáculo que já assistiu: A segunda edição do Rock in Rio em Lisboa, 2006.
Melhor viagem que já fez: Tailândia
E onde não voltaria mais? Atenas, Grécia.
Personalidade preferida: Viva, o Jacques Delors pelo papel na fundamental na criação do projeto europeu. Já falecida, Winston Churchill, pela influência no desenrolar da 2ª Guerra Mundial.
Se fosse o Super-homem o que faria em primeiro lugar:
Não falando de riqueza mas simplesmente de necessidades básicas, tentava distribuir melhor os recursos a nível mundial, para que o que sobra e se estraga nos países ricos, pudesse alimentar os milhares de pessoas que todos os dias morrem de fome em todo o Mundo.

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Comentários (12)
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Este vídeo foi apresentado no oitavo aniversário da adbasto (Associação de Desenvolvimento Técnico-Profissional das Terras de Basto), e conta, visual e oralmente, a história desta associação.
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