21 de Novembro de 2017
Cabeceiras de Basto | 06-11-2014
Por: Redacção
Hellord em entrevista: O “bando de desconhecidos a fazer uns covers” tornou-se uma Banda em ascensão
Hellord
Ainda no rescaldo dos concertos no Rock in Rua e na mítica Táscoela, onde são presença regular, entrevistamos os Hellord para ficar a conhecer um pouco mais sobre a única banda de death thrash metal da região de Basto. Fiquem a conhecer o Bruno Silva (guitarrista) de Arco de Baúlhe, o Duarte Filipe (vocalista) do Porto, o Duarte Zé (baterista) de Arco de Baúlhe, Rafael Gonçalves (guitarrista) de Arco de Baúlhe e o José Oliveira (baixista) de Fafe.

Olá, como e quando começaram?
Duarte Zé (DZ): Acho que foi em 2011. Eu e o Silva já éramos amigos antes da banda e gostávamos os dois de metal, depois conhecemos o Rafael porque andámos juntos na mesma turma e como soubemos que ele tocava guitarra e tinha uma bateria lá em casa e gostava do mesmo que nós, começámos a juntar-nos para ensaiar.
José Oliveira (JO): Eu conheci-os através dum primo do Duarte lá de Fafe, ele disse-lhes que eu tocava baixo, eles interessaram-se e convidaram-me a aparecer nos ensaios.
Bruno Silva (BS): Sim, depois o primeiro concerto a sério foi já com o Duarte (o vocalista atual da banda) no Rock in Rua em 2011.
Rafael Gonçalves (RG): Antes do Duarte tínhamos dado poucos concertos. Só instrumental.
E como arranjaram um vocalista?
BS: O Duarte entrou por cunha (risos).
Duarte Filipe (DF): Tudo começou quando fui viver para casa do meu primo César. Desde putos tivemos sempre uma paixão pela música que nos continua a influenciar ao longo dos anos nas nossas vidas e foi então que começamos uma brincadeira de gravar uns covers. Na altura a nossa cena até era mais o grunge e começamos por gravar alguns covers de Nirvana. Mais tarde retorno à minha terra Natal, Porto. Comunicávamos sempre um com o outro através da net ou telemóvel, e houve uma altura que ele me disse que tinha conhecido uns amigos que também tocavam instrumentos e para aparecer lá em casa para ensaiarmos. Foi aí que conheci o Duarte Zé e o Bruno Silva. No início, para mim, éramos quase um bando de desconhecidos a fazer uns covers. Ao passar dos tempos a gente começou a ganhar confiança uns nos outros e decidimos formar uma banda, porque reconhecemos uns nos outros potencial e que conseguíamos ir mais longe que aquilo.
DZ: Quando começamos ele, (Duarte Filipe) não fazia gutural (uma técnica vocal que produz um som rouco, grave ou profundo), só mais tarde ele é que começou a dar uns growls lá para o meio das músicas e nós decidimos que ele deveria cantar sempre assim, era a nossa cena, o nosso registo. Começamos por criar assim a nossa identidade.
Sendo o Duarte Filipe do Porto e o Zé Diogo de Fafe, é difícil conseguirem juntarem-se para os ensaios?
DZ: Sim, é complicado, mesmo eu que estou na faculdade e não posso vir às vezes. Os fins de semana são os únicos dias que temos para nos encontrarmos.
DF: Mas atualmente como nos encontramos em fase de produção não tenho ido muitas vezes ao Arco porque é uma maneira de poupar dinheiro e de os deixar trabalhar. Mas sempre que necessário vou. Tenho viajado sempre de camioneta, fico os fins de semana no Arco e aproveitamos para ensaiar. Sou uma pessoa ambiciosa e sei que tudo requer sacrifício, luto pelos meus objetivos.
Começaram por tocar covers de que bandas? Já têm originais?
JO: Metallica, Slayer, Sepultura…
DZ: Temos duas originais e já estamos a trabalhar na terceira. Mas também já estamos a pensar numa quarta, a pensar no EP.
E como se dá o vosso processo criativo?
DZ: Basicamente é tentar aplicar cada um aquilo de que gostamos, acima de tudo temos que gostar do que estamos a ouvir quando começamos a tocar e juntar os nossos estilos. Nós não temos propriamente um estilo definido. Death, trash…
RG: Basicamente temos muitas influências e juntamos isso no nosso estilo.
E até agora, quantos concertos já deram?
JO: Uns 20, 30…
E onde é que já tocaram?
BS: Basicamente Arco, Celorico, Cabeceiras, Fafe e Porto.
E qual foi o vosso preferido? Há sempre o concerto especial.
DZ: Curti mesmo este último Rock in Rua (pela primeira vez os Hellord ficaram no fim da line-up, com o público que mereciam), mas também gostei mesmo do nosso concerto em Fafe, no Santo Rock. E no Metalpoint (no Porto) foi mesmo altamente. Tocámos finalmente para pessoal que curtia mesmo aquilo e estava mesmo muita gente, estava um ambiente espetacular e valeu principalmente pela causa do festival. Foi o Feed me Fest, que consistia em angariar dinheiro para ração para animais. Correu mesmo super bem, só num dia angariamos mais ração do que a campanha do Pingo Doce numa semana inteira por exemplo.
BS: O que eu curti mais foi o do Canecos Bar (em Fafe).
RG: Sim, esse foi muito fixe. Mas os da Táscoela também são sempre muito fixes.
JO: Os que mais gostei foram o do Metalpoint, o do Granja em Fafe e este último Rock in Rua, o ambiente e o som estavam fantásticos.
DF: Pessoalmente gosto de ambientes mais hardcore, onde o pessoal participa em moshs, crowdsurf, etc. Os shows que mais curti dar foi definitivamente em Fafe.
Mas suponho que tocar na Táscoela é sempre especial, afinal é quase a vossa casa…
RG: Mesmo, é tocar em casa.
BS: Este ano na Táscoela estava louco, curti mesmo milhões.
E o Rock in Rua?
DZ: O ano passado com os Mata Ratos no Rock in Rua foi espetacular, mas mais pela atuação deles e pela envolvência que foi do que pelo nosso concerto. Se nós tocássemos com o público que estava para eles, ou antes ou depois, teria sido brutal, mas como tocámos muito cedo, não deu.
Realmente, à hora do vosso concerto devia estar eu a jantar…
DZ: Pois, como toda a gente! (risos)
E por falar nisso, nunca sentiram nenhum tipo de preconceito cá na terra pelo tipo de música que tocam?
DF:
Eu sei que a nossa música não agrada todos os ouvidos da terra. Mas o que eu mais dou valor é às amizades que fui criando com muita gente do Arco, e cada ano que passa vou conhecendo mais pessoas ainda. É de dar valor a todos os nossos amigos e conhecidos que nos apoiam, que vão aos nossos shows, e apesar de tudo àqueles que até podem não escutar ou apreciar o nosso estilo musical mas estão sempre presentes, a todos um obrigado.
DZ: Por acaso tivemos sempre muito apoio, mesmo havendo pessoal que não goste. Eu acho que as pessoas sabem que nós estamos a fazer o que realmente gostamos e aqui damo-nos bem com toda a gente por isso apoiam-nos.
BS:
Eu até fui convidado para ir de Menino Jesus na procissão do Arco, por isso não acho que sofra de preconceito (risos).
JO: Eu sempre me senti bem acolhido pelo Arco.
DZ: Mas por exemplo, a voz do Duarte será sempre a que vai causar mais impacto nos concertos cá no Arco. É a primeira coisa que o povo fala. Mas é o que nos gostamos e é assim que vai ser.
BS: Já o pessoal de fora curte. Este ano no Rock in Rua um gajo disse-nos “o vosso vocalista tem cá um vozeirão!”, e isso é muito bom!
DZ: No Metalpoint também fomos muito elogiados. É a nossa forma de expressão, e isso é o que interessa. Eu curto outros tipos de música mas há coisas que libertas melhor a “gritar”. 
E como é que fazem para divulgar o vosso trabalho? Para os concertos são vocês que procuram pela oferta ou as pessoas vêm ter convosco?
DZ:
Até agora sempre foram os outros a vir ter connosco e perguntar se queríamos tocar.
E até já aconteceu porem o vosso nome num cartaz sem sequer vos terem convidado não foi?
DZ:
Em Cabeceiras, sim!
BS:
Foi no dia do festival que vi um cartaz em como supostamente íamos lá tocar.
Já usam o vosso nome para atrair o pessoal, não?
DZ:
Por acaso já sinto a cena de haver pessoal que vem de propósito para nos ver. E isso deixa-me muito feliz.
RG: Neste último Rock in Rua conhecemos um pessoal de fora que nos disse que vinha todos os anos ver os nossos concertos, e nós nem os conhecíamos! E disseram que nós eramos muito limpos e sóbrios! (risos).
E costumam ficar muito nervosos ou nem por isso?
DZ: Depende do concerto, mas geralmente quando estou a tocar tudo à volta desaparece.
BS: Eu neste Rock in Rua passei a noite toda nervoso! Mas depois de chegar ao palco e tocar o primeiro acorde passou tudo.
RG: Eu é só na primeira música, depois ‘tá-se bem.
Planos para o futuro?
DZ: Agora o que mais queremos é fazer o EP e divulgá-lo ao máximo. Isso vai abrir-nos muitas portas, como ir a mais festivais e abrir para outras bandas que já mostraram interesse em nós. Assim finalmente podemos mostrar realmente o que valemos, mostrar o que somos capazes de criar e não o que tocamos dos outros.
Então vêm a banda como algo sério ou mais um passatempo?
DZ:
Para já é mais um passatempo mas é algo que com o tempo é para ser levado a sério, é a minha paixão e o que eu gostava realmente fazer da vida.
RG:
Eu acho que cada vez se tem tornado menos um passatempo.
BS: O único trabalho/emprego que eu me vejo a fazer na vida e gostar mesmo é isto.
JO: Eu ou é isto ou engenheiro informático (risos).
DZ: Todos nós estamos a investir neste projeto de corpo e alma para cada dia que passe possamos fazer com que tudo seja possível. Obstáculos no nosso percurso iremos sempre encontrar, as coisas não são fáceis para ninguém mas nunca baixamos os braços. Acho que isto é definitivamente algo para ser levado a sério, e o tempo irá mostrar isso.

Achou esta notícia interessante?
Comentários (0)




Anónimo:



opinião demarcada
Vídeo em Destaque
Este vídeo foi apresentado no oitavo aniversário da adbasto (Associação de Desenvolvimento Técnico-Profissional das Terras de Basto), e conta, visual e oralmente, a história desta associação.
Notícias
  • Últimas
  • + lidas
  • + comentadas
  • + votadas
edição impressa