24 de Fevereiro de 2018
Cabeceiras de Basto | 29-05-2014
Por: Redacção
“Basto pelo Mundo” - o início
Preparação do FUFU, um tipo de puré pastoso feito à base de tubérculos
A nova rubrica do Jornal o Basto.

Com a aventura do Pedro Espanha, de Cabeceiras de Basto e residente em Paris, iniciamos a mais recente rubrica que poderão acompanhar daqui em diante. Intitulada “Basto pelo Mundo”, aqui procuraremos descobrir, redescobrir e divulgar diferentes “aventuras” de várias pessoas das terras de Basto pelos cinco continentes. Não é só a paixão das viagens, da descoberta de outros “mundos” tão próximos ou tão distantes que procuraremos partilhar, mas igualmente, dar voz aos que daqui partem à descoberta levando Basto no coração e a força das suas raízes na alma.

No sentido de vos transmitir da forma mais fidedigna possível os relatos que nos chegarão, publicaremos, nas próprias palavras dos intervenientes, quase sem edição, o que encontraram além-fronteiras e o que trouxeram de volta com eles. Porque é aos “aventureiros” além-mar que as palavras, trazidas agora a vós, pertencem.

África: um continente e um futuro cheio de perspetivas!
Por Pedro “Espanha”


“No avião a caminho dos Camarões, país situado na África Central, numa missão de trabalho para a Câmara Municipal da cidade de Douala, dou um pulo de 2 anos na minha memória e tento relembrar o meu quotidiano, naquela que foi a minha primeira experiência no continente Africano.

Na realidade, não preciso mergulhar muito profundo nos meus pensamentos, pois os momentos que vivi durante dois anos em Lomé, a capital do Togo e na sub-região, continuam a flutuar no meu espírito.
Posso dizer que foi tempo suficiente para colocar em questão a forma como apreendo a vida. Na nossa confortável vida em terras do “Ocidente”, as pessoas passam os dias à procura de problemas, enquanto por lá elas passam os dias a tentar encontrar soluções para viver e, por vezes, simplesmente sobreviver.
Em finais de novembro de 2008, no âmbito de um projeto comum com a minha namorada Clémentine, abordámos a possibilidade de procurar uma experiência no estrangeiro, após a conclusão do seu mestrado e estágio de fim de curso na Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), estrutura de desenvolvimento dos projetos de Cooperação Francesa, anexada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Quanto a mim, estava a meio da licenciatura em Geografia e Ordenamento do Território e não queria parar os estudos nesse momento.

As condições necessárias para que  pudéssemos partir juntos nesta aventura eram:  encontrar um país onde, de preferência, se falasse português, espanhol ou francês (língua que tinha começado a aprender), um país onde a Clémentine pudesse ter uma vaga de trabalho e, ainda, que a minha universidade de Paris Diderot, tivesse um acordo de cooperação universitária com a universidade da cidade  para onde lançávamos as nossas pesquisas.

Parecia mais difícil do que realmente foi. Ao fim de um mês de pesquisa, a cidade de Lomé, no Togo, destacou-se na lista das vinte cidades que tínhamos pré-seleccionado, como o único destino que nos permitiria viajar juntos.

Em Abril de 2009, a Clémentine partiu para trabalhar na agência da AFD do Lomé como responsável de projetos urbanos nos sectores do acesso à água potável, do saneamento e da gestão dos lixos. Eu viajei quatro meses depois.

Em Agosto de 2009, embarquei a partir do enorme aeroporto Charles de Gaule de Paris, num voo das seis da manhã com destino a Lomé, com a compania Air Burkina. O que  aparentava ser um voo normal,  não decorreu como tal.

Acabado de me sentar no avião, a voz robótica do comandante de bordo diz : “devido a problemas técnicos, o voo para Lomé vai atrasar  alguns minutos.” Dez minutos mais tarde, todos os passageiros estavam a sair do avião, dentro do qual embarcámos cinco horas mais tarde. E eu nem imaginava que apenas estava no início de muitas surpresas.

Ao fim da tarde, o avião finalmente descola em direção a Ouagadougou, capital de Burquina-Faso, onde uma pequena escala estava prevista. Próximo da aterragem, à medida que a velocidade do avião vai reduzindo e o barulho dos motores desaparecendo, a voz robótica anuncia: “os passageiros com destino a Lomé estão convidados a sair do avião”. Mais uma surpresa!

Chegando ao terminal do aeroporto, uma bela e gentil senhora acolhe-nos com um sorriso cheio de charme mas traiçoeiro. Dá-nos as boas vindas e começa a anunciar: “ Boa noite. Sou a representante da companhia Air Burkina. Devido ao grande atraso do vosso voo, o avião com destino a Lomé não pôde esperar e descolou. Não se preocupem, o próximo está previsto para sábado que vem”. Ou seja, dois dias depois. Digamos que a tensão dos passageiros explodiu e que pequenos incidentes de agressão verbal animaram durante uma boa hora os corredores do pequeno aeroporto de Ouagadougou.
De seguida, fomos conduzidos ao hotel quatro estrelas Palm Beach. Ao entrar, apercebi-me que as quatro estrelas só faziam parte da decoração exterior do hotel, na realidade ele mereceria uma ou duas estrelas no máximo. Mas de que me queixo?!

Durante a manhã do dia seguinte, foi em Ouagadogou que explorei pela primeira vez “les marchés”, as famosas feiras que animam o quotidiano da população e que constituem o pulmão da economia local das cidades africanas.

De regresso ao aeroporto, onde tínhamos um encontro previsto às 13h00 com um agente da companhia Air Burkina, mais uma decepção. A bela africana desaparecera do mapa, substituída por um pequeno e enraivecido homem que nos acolheu com uma simpatia de gelo.

 Uma nova proposta nos é feita às 14h30, um voo com destino a Cotonou, a capital do Benim que fica a 180 Km de Lomé. Desesperados pelo tempo que passava e pela escassez de opções que tínhamos perante nós, alguns passageiros aceitaram a proposta, eu incluído.

Em Cotonou fomos encaminhados a uma paragem de táxis. Sem muita margem de escolha, acabámos por aceitar o transporte até Lomé por via terrestre. Lá tivemos que embarcar nos famosos Taxi Brousse, ou seja, “táxis do campo”. Para terem uma ideia, de onde estava sentado podia ver o asfalto que deslizava sob os meus pés, enfim, digamos que o veículo até estava apto para a circulação. Desde que o motor, a caixa de velocidades e os quatro pneus estejam em relativo bom estado, tudo o resto são meros extras não opcionais na compra de carros em “quinta mão”. Para fazer os 180 Km, a viagem durou seis horas, numa estrada onde camiões, carros, motas, bicicletas, pessoas e outros veículos não identificados, circulavam em ambos os sentidos numa organização “dignamente desorganizada”. Enfim, lá acabámos por chegar a Lomé com mais de 48h de atraso onde, felizmente, a Clémentine estava à minha espera.”

O relato do Pedro Espanha continua na próxima Edição. A redação agradece-lhe o seu relato.

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Este vídeo foi apresentado no oitavo aniversário da adbasto (Associação de Desenvolvimento Técnico-Profissional das Terras de Basto), e conta, visual e oralmente, a história desta associação.
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