24 de Fevereiro de 2018
Cabeceiras de Basto | 17-02-2014
Por: Redacção
Sapadores da RuralBasto com salários em atraso
RuralBasto
O dia 22 de Janeiro, acordou frio e cinzento, mais uma quarta-feira pesada e lenta na vida de tantos trabalhadores do concelho de Cabeceiras de Basto. Para os sapadores florestais da cooperativa Rural Basto, esta quarta-feira é ainda mais fria e cinzenta, pela incerteza que vivem, resultante do recorrente atraso no pagamento dos seus salários.

Receberam recentemente três meses em atraso, estando ainda em falta o salário de Dezembro e respetivo subsídio de Natal. Mas já estiveram quase cinco meses sem receber qualquer pagamento, uma situação que remonta ao inicio de 2013, onde chegaram a estar um mês parados a protestar para que a situação fosse regularizada. Mas o que mais lhes custou, dizem-nos, foi ter de passar o último Natal sem qualquer “tostão no bolso”.

Dos quatro sapadores florestais, com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos de idades, há ali quem trabalhe para a cooperativa há uma década, outros há menos, mas todos referem que os atrasos nos pagamentos de salário não são um problema novo, esses atrasos sempre foram uma realidade para quem ali trabalha. Quando interrogamos como vive uma pessoa com atrasos consecutivos no pagamento dos salários, uns encolhem os ombros ou desviam o olhar, esperando que o silêncio responda à pergunta difícil; outros apontam entre revolta e incompreensão, a atitude incorreta da direção da cooperativa não lhes dá uma resposta, uma explicação sobre o problema, que parece, nas suas palavras, “que têm vergonha de aparecer perante os seus trabalhadores e de dar a cara para um esclarecimento.” Perante uma situação que parece insustentável, de constante incerteza, indicam-nos que pior que nunca terem tido uma explicação é terem tentado procura-la e essa porta lhes ter sido sempre vedada.

A RURALBASTO é uma Cooperativa de desenvolvimento agro-florestal de Basto, fundada em 1996 pelas mãos do Presidente da Câmara Municipal na altura da fundação, Joaquim Barreto, tendo como atual Presidente da Direção, Cristina Ferreira Sanches. A cooperativa RuralBasto ainda que com sede no concelho de Cabeceiras de Basto, viu a sua atividade alargar-se rapidamente aos restantes concelhos da região de Basto, sendo que essa se divide em secção de Comercialização e secção Florestal, para a qual emprega uma equipa de sapadores florestais.

Esta é a informação institucionalmente disponibilizada sobre âmbito da atividade da cooperativa. Sabemos ainda que uma parte do seu financiamento é relativa a subsídios atribuídos pela Autoridade Nacional Florestal, extinta em 2013 para ser integrada no Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Os subsídios da Autoridade Florestal Nacional tinham como destino o financiamento do Programa de Sapadores Florestais, e como tal, para o caso específico, para financiar a equipa de sapadores florestais sobre a alçada da RuralBasto, com o objetivo de prevenção estrutural de incêndios Florestais. Segundo informação publicada em Diário da República, o valor do subsídio relativo ao ano de 2010 perfaz um valor total de 35.000 euros, enquanto o valor do subsídio para 2011 um total de 29.750 euros. Para além desta fonte de financiamento, os sapadores indicaram que grande parte do seu trabalho consistia na limpeza de matas e outros terrenos florestais a particulares, que seguidamente efetuam o pagamento pelo serviço na secretaria da cooperativa. Revelaram que sempre tiveram muitos pedidos de particulares, o que lhes levanta ainda maiores suspeitas sobre a causa dos atrasos nos pagamentos.

Contactamos a Presidente da Direção, Cristina Ferreira Sanches, que se mostrou disponível para prestar os seus esclarecimentos sobre o atraso nos pagamentos. Em primeiro lugar garantiu-nos existir um equívoco quanto à sua disponibilidade para receber e ouvir os sapadores, afirmando que sempre esteve disponível e não foi em momento algum contactada. Em segundo lugar, transmitiu que os atrasos nos pagamentos não são da sua competência, mas devem-se aos atrasos nos subsídios estatais que financiam a equipa de sapadores da Rural Basto. Entre uma versão e a outra, a verdade é que os atrasos nos pagamentos existiram, existem e poderão, porventura, continuar. Constituindo, para quem trabalha, para quem tem família e encargos financeiros, uma situação preocupante, principalmente se considerarmos o contexto económico-financeiro que o país atravessa. Para além disso, é certo também que a equipa se vai mantendo, e a cooperativa até ao dia de hoje não parece ter movido quaisquer diligências ou intenção de a extinguir. Entre avanços e recuos, a incerteza dos dias vai persistindo, enquanto os homens ali estão, presentes ao serviço, sem receber ou recebendo sempre em atraso.

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Comentários (2)
Anónimo disse

Este grupo de homens de tanto trabalho que constitua uma empresa...Arruína logo o pouco que resta da rural


20 de Fevereiro de 2014 09:58




Anónimo disse

É sempre o mesmo, não pára de a armar, ele é na mutula, na cambra, agora na roral... que se seguirá!!!!!!!!


18 de Fevereiro de 2014 23:37








Anónimo:



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